Lançamento do livro "O Indio e o Cinema em MS" marca encerramento da Semana de Jornalismo

Miguel Angelo  fala sobre a riqueza da produção cultural 
indígena no Estado - Fotos: Gerson Jara

O lançamento do livro "O índio e o cinema em Mato Grosso do Sul: mapeamento e análise", do pesquisador Miguel Angelo Corrêa encerrou a SEMAJOR 2017 - Semana do Curso de Jornalismo da UFMS - História e Futuro Presentes. O evento aconteceu na capital do Estado, no auditório II do Complexo Multiuso, no campus de Campo Grande, na quarta-feira 25 de outubro de 2017, reunindo professores, estudantes, ativistas culturais, e o público em geral interessado pela temática da produção audiovisual realizada pelos povos indígenas sul-mato-grossenses.
Evento reuniu estudantes, professores e ativistas culturais interessados 
em conhecer a produção audiovisual indígena
Após a projeção de filmes de diversos estilos como videoclipes, comédias, documentários, ficções, videoaulas e outros, Miguel Angelo contou como se deu sua trajetória desde cinéfilo paulistano até pesquisador interessado pela questão indígena e pela produção cultural das etnias que vivem em Mato Grosso do Sul.
O autor explicou que com a dissertação desenvolvida no curso de mestrado em Comunicação da UFMS, orientada pelo professor Dr. Álvaro Banducci Júnior, e a especialização Lato Sensu "Cultura e História dos Povos Indígenas" conduzida pelo professor Dr. Antônio Hilário Aguilera Urquiza foi possível um aprofundamento nos estudos e oportunizou a descoberta da riqueza cultural e histórica existente no audiovisual autoral indígena produzido no estado.
Plateia foi bastante diversificada
Agradeceu o apoio da Secretaria de Estado de Cidadania e Cultura de MS (SECC) que por meio do FIC/MS (Fundo de Investimentos Culturais) do Governo do Estado de Mato Grosso do Sul viabilizou não somente a impressão da dissertação, que recebeu uma nova roupagem com uma linguagem mais acessível ao público comum e foi transformada em livro, como também a realização de sete lançamentos – sendo que os cinco primeiros deles foram feitos em Terras Indígenas que receberam doações de dezenas de exemplares do livro.
Dentre inúmeros outros tópicos, o autor relatou os diversos processos pelos quais passaram e ainda passam as etnias que existem no estado como: as Entradas, Bandeiras e Monções (expedições armadas ao interior do continente por via terrestre ou pluvial entre os séculos 16-18, em busca de riquezas, captura ou extermínio de indígenas); as disputas armadas entre portugueses e espanhóis pelo território ao longo dos séculos; a Guerra do Paraguai (maior conflito bélico do continente, na qual os Guaicurus foram extintos e os Guaranis e Terenas foram usados como combatentes por ambos exércitos); a saga da construção das linhas telegráficas pelo Marechal Rondon, ligando o litoral aos limites ocidentais do país, e a construção da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil – NOB ( que usaram mão de obra de várias etnias); o ciclo da erva-mate (no qual se explorou durante décadas, através de semiescravidão, principalmente os Kaiowá e Guarani); o surgimento do Serviço de Proteção ao Índio (SPI) no início do século XX; a criação das Reservas Indígenas; a "Marcha para oeste"
Palestra contou com tradução em Libras
(movimento de migração interna incentivado pelos governos, facilitando a cessão de terras para colonos e grileiros e confinando indígenas restantes em pequenas reservas); a criação da Colônia Agrícola Nacional de Dourados (CAND) pelo governo Getúlio Vargas em 1943, instalada dentro de reservas demarcadas pelo SPI; a disseminação de igrejas e escolas evangélicas e neopentecostais a partir de meados do século XX (que negavam saberes indígenas, considerados supérfluos e imprestáveis); e a monocultura da soja, cana de açúcar,

O autor e organizadoras da Semarjor:
Profa.s Dra. Rose, Dr. Katarini, e:
acadêmica Milena
e eucalipto (que usa mão de obra indígena). Conforme explicou o autor, todos estes fatos históricos afetaram o desenvolvimento do estado e influenciaram profundamente na sobrevivência dos indígenas e evidentemente aparecem reflexos dos mesmos no audiovisual produzido por eles. 
Na finalização da palestra, Miguel Angelo reforçou uma das conclusões da dissertação que é a de que seria recomendável a criação
Participantes do evento contemplados pelo sorteio de exemplares do livro
de uma disciplina no curso de Graduação em Comunicação da UFMS sobre cultura local dos povos originários da região; e, ainda, a criação de uma linha de pesquisa no Programa de Pós Graduação em Comunicação sobre os povos originários que contemple, dentre outras, a comunicação audiovisual indígena, como forma de minimizar um dos problemas observados no início do trabalho que seria a práxis jornalística de desinformar sobre os assuntos indígenas.
O lançamento contou com tradução em libras e ao final foram sorteados alguns exemplares entre a plateia presente e distribuídos autógrafos aos que adquiriram o livro.
Professores Hermano de Melo e Ivone Munhão adquirem
exemplar com dedicatória do autor Miguel Angelo.
O livro pode ser adquirido na Casa do Artesão, na esquina das Av. Afonso Pena e Calógeras, no centro de Campo Grande, MS, ou através de contato com o autor, por apenas R$30.

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