POVO KADIWÉU PROTAGONIZOU LANÇAMENTO DE “O ÍNDIO E O CINEMA EM MS”





No dia 12 de agosto de 2017 foram entregues quarenta exemplares do livro “O índio e o cinema em Mato Grosso do Sul: mapeamento e análise” para a Aldeia Alves de Barros da Terra Indígena Kadiwéu, na cidade de Porto Murtinho, MS. 
O livro e os lançamentos foram realizados por meio do Fundo de Investimentos Culturais do Governo do Estado de MS através da Secretaria de Estado de Cidadania e Cultura – FIC-SECC/MS. Os exemplares foram recebidos pelo Cacique Joel Virgílio Pires durante a “Comemoração da Retomada Santo Onofre”.
Os exemplares foram recebidos 
pelo Cacique Joel Virgílio Pires

A Aldeia Alves de Barros é uma das quatro existentes na Reserva Kadiwéu e dista cerca de 60 quilômetros da cidade de Bodoquena, MS. O acesso se dá através de uma estrada de terra sinuosa e perigosa pela bela Serra da Bodoquena.


Turistas, artistas, pesquisadores, e 
populares puderam adquirir peças da 
cerâmica produzida pelos Kadiwéu
A comemoração atraiu público bastante heterogêneo: além dos indígenas das diversas aldeias da Reserva, haviam moradores de Bodoquena, MS, turistas de diversas origens, artistas, biólogos, antropólogos, escritores, fotógrafos, espeleólogos, jornalistas, profissionais de audiovisual, empresários, profissionais da saúde indĩgena - que aproveitaram para oferecer atendimento aos índios presentes – dentre outros.

Durante a comemoração turistas, artistas, pesquisadores, e populares dos municípios vizinhos dentre outras atividades puderam adquirir peças da bela cerâmica típica produzida pelos indĩgenas, apreciar


Indígenas Kadiwéu dançam ao redor de rês oferecida ao evento 
por parente em comemoração pela passagem de seu filho para a idade adulta

Durante a Comemoração da Retomada Santo Onofre os Kadiwéu 
realizaram a tradicional competição de montaria “em pelo”.



















os Kadiwéu dançarem ao redor de rês oferecida ao evento por parente em comemoração pela passagem de seu filho para a idade adulta, e assistir à tradicional competição de montaria “em pelo”.

Autor falou dos equĩvocos noticiados pela midia sobre os ĩndios

Durante palestra sobre a pesquisa que deu origem ao livro o autor justificou a necessidade do trabalho como forma de tentar
esclarecer a opinião pública sobre os equívocos e falácias que comumente são reproduzidas na TV e nos jornais sobre os índios de MS.
Indígenas Kadiwéu dançam ao redor de rês oferecida ao evento 
por parente em comemoração pela passagem de seu filho para a idade adulta


Turista ao lado de ĩndia Kadiwẽu paramentada para festa

Ele observou, por exemplo, que os problemas dos indígenas na área dos Kadiwéus são profundamente diferentes daqueles encontrados nas Reservas de Dourados, MS, ou de Amambai, MS, ou da questão indígena na região de Sidrolândia (povo Terena) ou, ainda, completamente diversos dos enfrentados pelos Guarani e Kaiowá no Cone Sul do estado.
O acesso se dá através de uma estrada de terra sinuosa e perigosa pela bela Serra da Bodoquena

Professor Etelvino mostra trecho do banner 
do livro escrito na língua Kadiwéu


Escola da Aldeia Alves de Barros na Terra Indígena Kadiwéu


Outro fato observado pelo autor é o de que os jornais, a TV ou os “Onlines” quase nunca contextualizam as questões, explicando, por exemplo, que em MS existem atualmente ao menos nove etnias: Kaiowá (descendentes dos índios Itatines, tradicionais habitantes do sul de MS), Guarani - Ñandeva (única das três partes dos Guaranis que assim se autodenomina), Terena (descendentes dos Txané-Guaná, da família linguística Aruak), Kadiwéu (descendentes dos Mbayá–Guaikuru, cavaleiros guerreiros habitantes do chaco paraguaio, que resistiram a portugueses e espanhois), Guató (índios canoeiros, tradicionais habitantes do Pantanal e MS, de filiação linguística ainda incerta, algumas centenas na ilha Ínsua), Ofaié (restam cerca de uma centena na região de Brasilândia, poucos falantes da língua), Kinikinau (descendentes dos Guaná, linguística Aruak, cerca de 250), Atikum (migrantes de Pernambuco, de cor da pele negra, cerca de 55) e Camba (de Corumbá, ainda não reconhecidos pela Fundação Nacional do Índio – FUNAI).


Público presente na Comemoração Santo Onofre 
aprecia a tradicional competição de montaria “em pelo”

Cada uma destas etnias tem suas peculiaridades, seus costumes, seus hábitos alimentares, sua espiritualidade específica, suas técnicas de construção de habitações, seus etnosaberes, sua relação com a natureza e mesmo sua constituição física diferenciada. Este fato torna o estado o segundo em população indígena no país e dá a dimensão da importância destas etnias que deveriam ser reconhecidas pela mídia como importantes atores no povoamento e construção da identidade sul-mato-grossense. Era de se esperar, pois, que em uma sociedade democrática, a imprensa divulgasse sistematicamente estas informações, sendo que, com o livro e os lançamentos, o autor tenta minimizar este problema.


O próximo lançamento se dará dia 24 de novembro, oito horas, durante o Festival de Cinema do Vale do Ivinhema, na sala Cinelito. Não perca!

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